28 de outubro de 2015

Arruma uma coisinha aqui, aparece outra ali...

Quando a minha filha nasceu, eu tive um bombardeio de informações e coisas que precisava fazer. Sempre fiz. Mesmo que me doesse, eu queria o melhor à ela. A medida que ela foi crescendo, muita coisa mudou, melhorou e até sumiu. Coisas boas que eu nem esperavam aconteceram, e eu fui percebendo que nada como um dia após o outro. Daí depois de uma certa fase, tudo se acalmou. Quando ela começou entrar na fase dos 10 anos, e na adolescência, foram aparecendo coisas. Eu fui ficando arrasada, e sentimentos se misturavam de alívio e preocupação pois arrumava uma coisa e outra aparecia. E é assim que tem sido. Quando temos um filho que precisa de cuidados especiais se somos 100 por cento pra eles temos que ser 1000 por cento. Daí percebemos que não tem nenhuma porcentagem de nós para nós mesmas. É difícil mas temos que nos doar além do que somos capazes. Percebemos que não existe mais aquele momento individual. Já é tarde demais! Eles estão totalmente mesclados à nós. 

Por algum tempo corri com coisas relacionadas a Paralisia Cerebral e não à Síndrome de Turner. Quando ela teve alta da Genética em 2012, a médica me disse que o que mais a prejudicava até aquele momento era a falta de oxigênio no parto, pois a Síndrome em nada atrapalhava a sua vida. Em 2013 descobri ela hipertensa e tudo mudou! As rotinas médicas aumentaram, tive que ficar atenta e redobrar cuidados e somente 1 ano depois consegui passar com as médicas e tratar essa hipertensão corretamente. O pior foi o quadro de desnutrição que foi se agravando devido a tantas coisas (hormônio X medicação de pressão). Consegui socorro, tirei a medicação de estrogênio que fazia mal, e fui cuidando do essencial. Tive amparo da nutricionista que me orientou, me ouviu e adequamos a dieta conforme a possibilidade dela. E ela foi melhorando.
Aí vi que dependendo da idade ou fase da vida tudo pode mudar e patologias da Síndrome dar as caras.
O que me resta é correr, fazer tudo que é preciso. Apesar do cansaço, ainda sim tenho oportunidade de fazer os exames, de ter uma consulta, de ter uma conduta médica, uma ajuda.  


Intercorrência Médica

No dia 18, a minha filha começou com uma tosse. Igual a minha em que eu estava me recuperando. Comecei a tratar em casa, mas quando foi no dia 25 ela começou a ter febre. Eu estranhei, e fui medicando achando ser normal devido ao estado gripal. Mas fugiu ao meu controle. No dia 27 a levei na emergência. o médico de plantão examinou e notou vermelhidão na garganta, mas eu expliquei que a febre ia e voltava. Ele pediu hemograma completo, exame de urina, e rx do tórax. Só sei que saí de lá mais de 2 da madrugada do dia 28 porque tivemos que esperar o resultado dos exames. A médica que atendeu disse que o pulmão não tinha nada, mas o exame de urina mostrou infecção urinária, pois exame com sonda de alívio se der bactéria é infecção sim, e quando os leucócitos passam de 100 mil é quadro infeccioso, e isso foi confirmado no exame (deu mais de 200 mil). Expliquei que o exame dela sempre vem bactérias mas que a Nefro não medicou por não ter sintomas, e os leucócitos estavam normais. Mas percebi menos quantidade de xixi, odor forte, e provavelmente isso que está segurando, e quando passei com a médica dela estava tudo bem, então provavelmente piorou nesses dias, ou como já tinha um quadro sem sintomas, ele piorou.

Mandou medicar com xarope, e antibiótico e no terceiro dia já não tinha mais febre. O xarope fluidificou o muco em 5 dias que parou, a tosse aos poucos acabando, e voltou a fazer xixi como fazia antes. Ufa... Precisei passar pela emergência pra descobrir e tratar ela corretamente. Agora ela está bem, mas por dias vi a minha filha só dormindo, quieta e sem brincar. Mas com a conduta correta, e cuidando em casa, deu tudo certo. Muito bom ver ela voltar a ser o que sempre é!

Quando as coisas fogem do controle nos sentimos impotentes. Nadamos e colocamos a cabeça pra fora para respirar e vem uma onda gigantesca. E para não morrer afogados temos que apenas nadar com mais determinação para não ser levados pelo mar. A vida é assim...
A luta de uma mãe, é uma luta particular e solitária às vezes, dolorida, cansativa. Que só ela é capaz de entender. Ao mesmo tempo a tradução do sorriso de um filho compensa tudo. Lutas não acabam nunca. Dão lugar a novas, e consequentemente a cada dia somos novas pessoas.  

Adriana Silva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário