2 de maio de 2016

Diagnósticos

Tenho a consciência de que a minha filha sempre será alvo ou objetivo de estudos em algumas áreas médicas. Por isso, eu sempre passo o máximo de informações possíveis porque isso determina a conduta médica correta nas coisas que vão aparecendo ou precisam melhorar e sempre decidimos em conjunto baseados no que é melhor para ela.
Até os 10 anos, ela tinha os diagnósticos: Paralisia Cerebral e Síndrome de Turner.
Depois dos 10 anos começou apresentar Epilepsia.
Aos 11 anos operou da coluna devido a escoliose.
Aos 14 anos começou o quadro de Hipertensão Arterial. E como consequência dela Insuficiência cardíaca e displasia na Valva Aórtica e Hipertrofia de ventrículo esquerdo.
No ano passado ela apresentou um quadro de desnutrição grave devido aos medicamentos e está em tratamento para ganho de peso.
Tudo que foi aparecendo está sendo cuidado e está sob controle com medicação e acompanhamento médico.
Então os diagnósticos dela aumentaram:
* Paralisia Cerebral
* Síndrome de Turner
* Atraso de Desenvolvimento Psicomotor (ADNPM) 
* Escoliose
* Epilepsia
* Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)
* Valva Aórtica Displásica com Insuficiência Moderada e Hipertrofia de ventrículo Esquerdo.


Eu já tinha consciência que algumas coisas poderiam aparecer, mas mesmo assim foi muito assustador ao mesmo tempo que fiz e faço tudo que me recomendam e me permito observar e fazer adaptações e discutir com a junta médica o que tem dado certo ou não. Sei dos exames de rotina que precisam ser feitos de tempos em tempos e qual a finalidade deles.
Independente de qualquer coisa, de início pode parecer tudo muito complicado. Não vou mentir e dizer: Ah, quando algo diferente aparece ou me é dito eu tiro de letra! Fico perdida sim! Mas corro atrás do que se deve fazer e depois tudo se encaixa e dá certo. Tenho plena consciência das realidades e comigo carrego uma coisa muito maior do que qualquer diagnóstico: O amor, o empenho, a fé, e a alegria de ser mãe da Jaqueline.
Quando eu fico cansada, por talvez pensar que é coisa demais, eu lembro de tudo que passamos desde que ela nasceu. E não foram poucas as situações; Ela sempre lutou assim como eu e o pai dela. Então se passamos por tudo isso, passaríamos por outras também.
Sei que essa jornada não é só minha. Sei que cada mãezinha passa por suas dificuldades internas, físicas, emocionais. Todas nós temos nossos medos e nossas limitações. Temos a força do amor a nosso favor, temos as nossas fragilidades. Temos tanto em comum, e tantas particularidades que essas também devem ser respeitadas.
Para nós, nossos filhos não são diagnósticos. Temos que ter os pés no chão entre a razão e emoção. Ao mesmo tempo que não rotulamos eles, sabemos o que eles tem. Sabemos quem eles são como pessoas. Para os médicos eles serão primeiro diagnósticos depois pessoa.
O diagnóstico para alguns é um " apelidinho" que se coloca em uma pessoa. Mas por mais difícil e realista que sejam essas patologias que ocorrem primeiro vamos olhar para eles como uma pessoa e o nosso imenso amor.
Vou sempre narrar as dificuldades que passamos, as experiências. Sempre vou enfatizar as partes boas, bonitas e o meu lado poético de ver a vida mesmo passando por desastres superados. Vou expor o lado sensível, e mostrar o meu lado sonhador e realista de mãe. Mas jamais vou colocar algo que não seja real. Jamais vou colocar algo que a minha filha não é, e não vou aceitar que digam que ela é "pior" por ter certos diagnósticos.
Vi a minha filha desenganada quando recém-nascida. Sinceramente, até hoje eu nem acredito que tudo aquilo passou. E quando falo dela, me encho de orgulho, meus olhos enchem de lágrimas,falo com amor e ternura porque passar por tanta coisa é para poucos! Falo sobre ela como um exemplo de superação, de vida, de gratidão e amor.

O diagnóstico primordial deveria chamar-se: Amor.

(Adriana Silva )

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