9 de outubro de 2016

Mudanças Hormonais e Comportamentais

A Jaqueline aparenta ter de 10 a 12 anos por ser pequena, mas é nítido para quem a conhece que ela cresceu internamente.Hoje, com 17 anos a trato como uma adolescente, e não poderia ser diferente diante das mudanças que ela passa e eu como mãe tenho e devo acompanhar. Ela gosta de músicas românticas antigas ou atuais, músicas do momento, de funk (Ludmila, Anita, Biel), de coisas engraçadas como programas de pegadinhas, vídeos da semana e bordões (tanto que repete tudo), de Roberto Carlos no final do ano, de Tiago Iorc, de músicas da Jovem guarda, anos 60 e por aí vai. Não abandonou algumas coisas da infância e respeito todas as preferências dela. Tive que crescer, não impor mais nada que eu achasse legal, mas sim perguntar e ouvir o que ela gosta. Confesso que quando percebi o crescimento da minha filha, a sua maturidade, seriedade fiquei um pouco triste. 

Estava acostumada a vê-la infantilizada por uma série de questões genéticas, mas independente de qualquer coisa ela aos poucos foi se permitindo crescer.Temos nossos momentos de mãe e filha de bagunça, de nos permitir coisas que nos faça sempre lembrar o nosso lado criança, mas o comportamento dela é de moça, de alguém que amadureceu, que tem mais entendimento do que está acontecendo e que demonstra medo reclamando ou chorando mas faz tudo pois sabe que é preciso e que aquele momento vai acabar.Costumamos a falar que nossos filhos são eternos bebês, e algumas vezes chamar assim por serem dependentes e por algumas vezes aparentar menos do que tem. Eu acho que cada mãe, cada família trata como quiser, pois cada um sabe o que é melhor para o seu filho.

Às vezes crescer dói, esfola, machuca mas faz parte da vida.  E diante dessas mudanças procurei respostas se talvez todas as justificativas de percebê-la quieta ultimamente era só por motivo do hormônio. O que aconteceu? 

Sempre pego o medicamento no hospital na farmácia, e a segunda cartela não consegui pegar lá então tive que comprar na farmácia de outro laboratório. Nas últimas semanas dessa cartela ela começou mudar muito e quando iniciou a cartela do hospital que tenho, ela voltou a ficar alegre, falante. Mas a terapia hormonal traz sim algumas mudanças, oscilações de humor além de ela estar sentindo falta do pai que anda trabalhando demais e sempre quando ele está em casa ela me dá trabalho no sentido de ficar inquieta pedir mil coisas, solicitar ele, pois ela nota que tem algo diferente, que ele é mais flexível. Foi engraçado hoje por exemplo que tive que dar uma bronca nela bem alto pra ela parar de fazer birra, de ficar " causando" ou arrumando encrenca. 

Percebi também observando que por mais cuidados que eu tenha com ela, estava precisando de mais atenção e amparo nesses momentos de transição dela que nem ela anda se entendendo e sabe que tem algo diferente acontecendo. Não é fácil pra mim, mas também não é fácil pra ela e por estar muito ocupada com tantos cuidados com ela, ela andou quieta por estar triste e pra ajudar fiquei doente, e a verdade é que me abandonei por completo pra dar o melhor à ela. Paramos de sair, e isso deprime qualquer pessoa e ela é do tipo que gosta de saídas rápidas, até porque fica cansada se passa de um certo tempo, mas ficar só comigo, por mais que sejamos muito ligadas vira rotina. E como ela está afastada da escola, eu procuro fazer atividades em casa, mesmo na loucura. Somos muito caseiras e isso é um problema! Detesto ficar muito tempo fora de casa, bagunça todo meu cronograma, e quando tenho que fazer adianto tudo no dia anterior.

Ambas estão passando por momentos difíceis e ela sente isso tanto quanto eu. Se eu digo nos dias que ela não sorri: quero a minha Jaque de volta, ela também se fecha e quer a mãe dela de volta. Se por um lado pra mim, é tanta coisa pra fazer, pra ela são muitos medicamentos, rotinas, consultas, exames e mudanças e somos uma a ponte de apoio da outra. Quando esse amparo falha os dois lados vão ruir. Mas qualquer coisa que eu faça com ela, cuidando, dando comida, banho sempre estou dando carinho, conversando, solicitando, informando as coisas que ela vai fazer nos compromissos do dia a dia, acalmando durante exame, pedindo colaboração. É extremamente carinhosa e meiga, e isso nunca muda. Tem um comportamento característico dela, e o respeito. Quando saí é outra pessoa mas se permite quando quer se entrosar com o ambiente. 

Ela está mais sensível, mais perceptiva, mas procuro sempre esquecer de mim pra atendê-la e vê-la sorrir. Só que quando a gente desmorona por cansaço não há sorriso que a convença pois ela sente e se tem alguém que não consigo enganar é a minha filha querida. 
Mas é perfeitamente normal ela mudar, ela é adolescente e tento sempre me lembrar disso. Eu também fui uma, me lembro que com 16 anos eu tive uma fase onde mudei meu jeito de vestir e parecia um menino. Me escondia em blusas amarradas na cintura, usava coturno, roupas folgadas e me achava desajeitada. Tive meus conflitos internos e quem não tem até hoje? Então não posso exigir dela que seja o que eu quero, mas é claro que posso dar limites ao seu comportamento, e conversar muito com ela, dar segurança ao mesmo tempo. Ela é extremamente forte e guerreira, e isso me dá força para ficar em pé. 

Enfrenta as coisas de uma maneira que mesmo que chore ou reclame ela entende que deve fazer. Depois tudo passa, acaba e ela ri de si mesma. É uma maneira linda e especial de ver a vida pois pra alguém como ela que passou por tanta coisa, não poderia ser diferente e para ela as coisas são muito menores do que pra muita gente. Pra uns, machucar um dedo é o fim do mundo e pra ela é a gratidão por estar viva e se sentir dor ela vai passar. 

Desde que ela nasceu sempre reforcei a auto estima dela, e hoje ela é vaidosa por uma questão de bem-estar, e isso dá muita segurança à ela. Se achando linda, bonita, e acho indispensável estar bem cuidada. Não como forma de compensar a deficiência física, a baixa estatura, e qualquer coisa que ela tenha. Acima de qualquer coisa ela é uma pessoa, e é dessa forma que se pudesse gostaria de ser tratada. E quando faço qualquer coisa por ela, me sinto melhor do que estivesse fazendo a mim mesma. É compensador, confortante. É um agradecimento à gratidão dela pela vida.

Temos que respeitar o jeito de ser das nossas filhas. 

(Adriana Silva)





Nenhum comentário:

Postar um comentário