4 de novembro de 2016

Tomografia de Abdome com Contraste e com Anestesia


O exame estava marcado para as 10, me ligaram um dia antes pedindo pra Jaque estar lá as 9, e de jejum absoluto de 8 horas. Saí daqui as 6:00, cheguei lá 7:30 e pensei : Já que a Jaque tem prioridade chamam ela mais cedo ou até mesmo no horário, mas adianto tudo.
Mas.... Saí de lá sabe que horas? 15:30 da tarde!
Ela estava de jejum desde as 22 horas do dia anterior, sem medicação, exausta e nem sei como ela aguentou. 
Apareceu uma outra funcionária da chefia e me viu, foi na recepção e disse algo. Aí uma recepcionista que eu já havia falado duas vezes disse: - Que exame ela tem? Eu disse Tomografia! Aí outra foi pra dentro,  quando voltou  me disse que estava aparecendo no sistema que ela era encaixe. Eu disse que mesmo que fosse, ela é cadeirante não poderia demorar tanto assim e que se até as 13:00 não me chamassem eu ia embora. Ela disse que não podia porque a Jaque estava com a pulseira já. Eu disse que ia embora sim, porque ela estava visivelmente abatida, que já demorou demais.

Eu havia perguntado na primeira vez ela disse que as crianças demoravam pra voltar da anestesia, e tinha que esperar porque estava tudo confuso lá dentro.
Dai apareceu outro,  o vi sinalizando, manda chamar ela e apontou pra Jaque. Logo chamaram ela.

Graças a Deus o anestesista era um Japonês muito bom, espirituoso, me fez um monte de perguntas quando eu dizia algo ele: - xiiiiii.... Que mais ela tem? Xiiiii.....só isso? 

Ele me explicou : Precisa sedar porque nesse exame não pode se mexer e ela entra dentro da máquina, e ela precisaria prender a respiração ao comando dele pra ficar em estado de apneia mas ela não sabe fazer isso, então mais um motivo pra dar a anestesia.
Dai arrumei ela na máquina, ele sedou, e tive que sair da sala.

Depois ela foi pra sala de recuperação e ele me liberou entrar, ela até que voltou rápido, quando começou ter ânsia por causa do tubo na boca, a enfermeira disse tá acordando, pode tirar! Daí ela abriu um olho, virava, dai começou conversar pedindo bexiguinhas e disse te amo... Cerca de 45 min saímos. Como ela já havia feito exame com contraste e nunca deu reação fiquei mais tranquila, mas a gente sempre espera que possam acordar vomitando devido a anestesia. Tinha um menino do lado que estava passando muito mal. 

A enfermeira um amor, ficou o tempo todo monitorando ela, me emprestou até carregador de celular.
Depois de liberadas para irmos embora ainda fui pegar a declaração de comparecimento, e só não desci na ouvidoria, porque a Jaque e eu não tínhamos condições: Meus pés inchados, a Jaque quase capotando. Pra piorar nem pude alimentá-la no trajeto pois as dietas dela todas azedaram: era iogurte, purê de frutas, e mesmo armazenados em bolsa térmica não deu.
Cheguei em casa quase 5 da tarde, só então pude dar o leite dela com suplemento que forraria o estômago.
Ela não teve nenhuma reação do contraste, aliás já fez várias vezes e nunca teve, só que devido não poder tomar as medicações pelo jejum e pela pressão baixa, teve uma crise convulsiva no dia seguinte.

Uma coisa tão simples poderia ter sido feita rápido mas por erros das pessoas, a gente paga. Fora as informações desencontradas, e isso faz com que a nossa permanência no Hospital seja algo mais longo do que o permitido.
Às vezes passamos pelo descaso e pela indiferença, nos tornamos invisíveis jogados à nossa própria insignificância.
Quando vemos alguém que amamos passando por algo percebemos o quanto amamos essa pessoa. Quando vi a Jaque adormecer pela sedação, apesar de ter anos de experiência em ser a mãe dela, senti meu peito doer, e o médico pediu pra sair da sala.
Ela é forte e me surpreende... Estava no limite da exaustão mas estava ali, sem saber o que ia acontecer... Acordou e depois vida que segue, esquece tudo, sorri e até ri de si mesma.

Quando ninguém nos olha nem nos percebe, quando estamos jogados ao descaso, esquecimento alguém nos vê de forma humana. Percebemos a nossa vulnerabilidade e fortaleza.
Mas esse tipo de coisa não pode acontecer... Vou fazer a reclamação por escrito, e sei que algumas vezes as coisas não saem perfeitas e que isso é impossível e que acontecem falhas, às vezes alguma coisa acontece e mexe na rotina hospitalar, mas não posso me calar pois penso no nosso estado físico e emocional assim como outras pessoas possam passar pelo mesmo, e não somente por minha filha ter direito a atendimento prioridade e mesmo que não fosse, a demora foi inaceitável!
Mesmo com tudo aquilo, as pessoas responsáveis pelo exame, pelos cuidados com a minha filha foram sensacionais... 

Até a próxima!

Adriana Silva

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