15 de março de 2017

Não deixe que a opinião das pessoas seja a sua e nem defina o que você é!



Olá meninas!

Hoje resolvi dedicar um momento para escrever esse post em meio a minha correria de sempre baseado em meu sentimento de mãe, de coisas que escuto e confesso algumas chegam a ser absurdas, mas não é o que penso da minha filha. Filha essa que lutou muito pra viver e de mim tem o profundo amor e respeito pela pessoa que ela é acima de tudo!

Semanas atrás, conversando com uma pessoa, falando sobre filhos, comentei da minha rotina: - Imagina se eu tivesse mais filhos, se com uma só não dou conta com tantas coisas pra fazer. 
A resposta foi: - Você nem poderia ter outro filho, ele poderia nascer com "problema", faz bem você não ter tido ou não ter mais.
(Eu já ouvi isso dezenas de vezes de várias pessoas e fico rindo internamente e com pesar). A pessoa não é uma estranha, e se não conhecesse a nossa história eu até diria que era ignorância por falta de conhecimento, mas no caso dela e de muitas é aqueles conceitos que posso explicar mil vezes, pode conviver anos e anos conosco e nunca saberá nada, sempre achará aquilo e ponto final. E terminou dizendo que fulana resolveu ter o segundo filho e veio com o mesmo "problema".

Esperei a tese equivocada, assim como tantas outras que escuto e nem me importo e disse: - Eu não tive outro filho porque eu não quis. Não quis ter outro porque nunca planejei, nunca tive tempo pra pensar nisso. Sempre corri com a Jaqueline, e apesar da Geneticista ter "pegado no meu pé" por diversas vezes dizendo que eu deveria sim ter outro filho que ajudaria ela, eu ria e levava na esportiva. A médica explicou que não tem nada haver, que isso não é algo que venha do pai ou da mãe. Ela teve a paralisia cerebral que a prejudicou e com isso, com o olhar atento dos médicos de onde estava, acabamos descobrindo a Síndrome de Turner. Não foi por medo que não tive outro. Não tive porque hoje em dia ter um filho já é muito. Prefiro ter uma só e conseguir cuidar dela e bem.

Mas muitas vezes me peguei e me pego pensando se não é egoísmo meu só ter ela de filha não dando a oportunidade de ter um irmão, pois com a ordem natural das coisas eu e meu marido vamos envelhecendo e quem sabe teria alguém para cuidar dela. Mas logo caí na real que não sou mulher maravilha. Que não quero colocar alguém no mundo já com essa missão, e talvez o irmão nem queira saber dela. Na época que a Geneticista começou a falar sobre isso eu tinha 33 anos, e dizia que eu teria apenas mais 2 para tentar e depois disso entraria na gravidez de risco (que é após 35 anos), mas que mesmo assim me encaminharia para todos exames com meu marido para um planejamento e pré natal bem acompanhado.

Eu teria sim outro filho se quisesse, se acontecesse outra gravidez. Mas tenho meus limites e hoje com 38 anos e uma filha de 17 que completa 18 anos esse ano, com a situação financeira apertada e com toda a loucura da minha rotina não teria! As pessoas não acreditam quando digo que a Jaque tem a idade que tem por ser pequena, e nem acreditam que tenho a idade que falo. É engraçado, acham que tenho uns 30 anos, mas cronologicamente estou perto dos 40 e querendo ou não, canso mais do que a 10 anos atrás. 

Eu não concordo com certas mentalidades. Conheço mães que adotaram pessoas com necessidades especiais sem pensar na dificuldade que seria criar aquele filho. Elas foram escolhidas por esses filhos, e escolheram também. O amor não tem rótulos. O amor é livre, absoluto e incondicional. Poderiam escolher outras crianças, e quando as vejo contar acho linda essa atitude! 

Então, ao fazer esse post pensei em todas as mulheres Turner, que assim como a minha filha podem ser definidas como tal. Mas o que acham e definem sobre todas não é o que realmente são. Todas nós mulheres somos além do que os olhos possam ser. Somos aquilo que nos vemos e não o que dizem. Talvez haja muita importância o que o outro diz sobre nós porque damos esse poder a elas. Eu acredito que a diferença é aquilo que achamos de nós. Sejamos Turner ou não. Nunca estaremos satisfeitas o suficiente, mas o respeito por nós mesmas é o essencial. As pessoas são o que podem ser, e se quiserem um algo a mais é só buscarem... Mais dentro do que fora, porque ser uma embalagem sem conteúdo dá um vazio interno. Quando calarmos a voz do que os outros acham e dizem e ouvimos mais a nossa própria voz, nenhuma opinião vai nos definir nem derrubar.

Falo isso como mãe. Passei por muitas coisas junto com a minha filha. Ela não seria um terço do que é hoje se eu não tivesse ido à luta, batido o pé, e deixado muitos falando sozinhos com seus achismos, com o não aceitar deles. Eu busquei o melhor pra ela mesmo rumo ao incerto. Eu sei com os meus olhos ver o que é milagre... De ver uma pessoa tão feliz e tão despreocupada com o que acham dela - e acho maravilhoso ela nem saber e nem se importar com mais ninguém que não seja a sua felicidade. De perceber que tem sua fonte de apoio ao seu lado (eu , seu pai, pessoas que a amam de verdade), sem definir ela como uma cadeirante, ou uma pessoa especial, ou uma Turner ou infinitas coisas. Essas definições escuto de médicos e até da sociedade para enquadrar em parâmetros de uma determinada situação. O que a define é o sentido que ela tem em existir! Que esse seja o sentido de todas vocês!


Um abraço muito carinhoso,


Adriana e Jaqueline

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