Anúncios

5 de julho de 2018

Mudança de Comportamento/Socialização


Vi relatos sobre a dificuldade das mulheres com ST no que se refere ao convívio social. Aprendi ao longo desses quase 19 anos que ela tem que independente da Síndrome ela é uma pessoa, e não é definida pelo diagnóstico pra justificar tudo que ela é. Tem sua personalidade, seus traumas, sentimentos e exterioriza de alguma forma suas vivências, e isso também pode explicar seus comportamentos. Analisando a mim mesma também percebo dificuldades, e isso se deve a uma porção de acontecimentos, que vamos acumulando e definindo também a minha personalidade.

A Jaqueline sempre foi imprevisível. Quem a vê não acredita que é a mesma menina das fotos pois quando sai de casa, ela muda completamente. Ela é do tipo de pessoa que não gosta de ser cobrada. Só faz as coisas quando quer. Em algumas situações faz porque não tem jeito e mesmo com esse temperamento dela é uma pessoa doce, carinhosa, engraçada. Sempre falo que ela é uma caixinha de surpresas pois quando menos se espera ela faz umas coisas que se eu perder a oportunidade não consigo registrar. Para se executar algo é preciso ter intenção, e ainda mais pedindo pra fazer, que não é feito mesmo.

Além de ter a ST tem a Paralisia Cerebral e vejo que  amigos dela da escola tem a mesma atitude dela quando saem de casa: São totalmente diferentes do que são em casa segundo relatos das mães. Isso é perceptível na minha, tanto que algumas pessoas estranham a diferença entre as fotos e vídeos que coloco no Instagram e ela pessoalmente: É outra pessoa! Sim, podemos melhorar essas questões, e por muito tempo ficava intrigada pois achava que ela tinha que ser igual é em casa. Mas isso não depende de mim, é o jeito dela. Não importa se  sai muito, se é estimulada à conviver com as pessoas, pois ela é uma caixinha de surpresa. 

O comportamento diferente também se deve à timidez ou ansiedade em algumas vezes. Fazendo terapia descobri que eu sou ansiosa mas eu não admitia isso. Nela, a ansiedade é nítida, e isso é algo que muda totalmente uma pessoa. Vou dar um exemplo: Como ela tem uma rotina bem agitada, tudo aqui tem horários, principalmente por causa de aulas e terapias. Ela começa ficar ansiosa, e fica séria e quem a vê acha que ela não gosta de ir à escola. Mas não é isso, ela quer chegar logo na sala de aula que adora os amigos, eles andando, fazendo sons, bagunça. Lá, ela se solta, tem segurança, tem afinidades e é a mesma pessoa alegre e carinhosa que se mostra em casa. Ou seja, tudo depende de um contexto de segurança, lugar, rotina, pessoas, e situações.

A partir disso, comecei a não me cobrar ou achar estranho ela ser assim  pois comecei a observar, respeitar o jeito dela ser, e algo que precisasse ser mudado trabalhamos, e já preparada para o sim e para o não desse certo. E com o relato da professora, terapeuta percebo que as atitudes dela dependem de uma porção de outras, e se pararmos pra pensar também somos assim. O que precisa é sentir-se confortável e ao mesmo tempo explico e a faço entender que alguns lugares por mais que ela não goste e vai ser desconfortável terá que ir. Em consultas médicas falo que vamos falar com o Dr, conversar. Quando vai fazer exames e ir na dentista (que é desconfortável pra ela), também falo. Mas ela sabe que passa, e depois vida que segue!

A socialização é importante, conviver com outras pessoas mas também respeitando o Eu de cada um. 

Até a próxima!

Adriana

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Obrigada por visitar no nosso Blog! Assim que possível responderei com muito carinho!

Adriana