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24 de setembro de 2018

Falta de acolhimento e empatia aos pais.



Por trás de todo filho há uma família. 

A estrutura de qualquer filho depende da família. E deveria ser uma realidade acessível a todos um amparo, um acolhimento, um suporte psicológico mais efetivo e humanizado. Todos nós temos sentimentos e muitos esquecem isso.

Percebo que a atenção fica concentrada aos tratamentos que esse filho precisa, dos atendimentos, consultas, estimulações, exames, recomendações.

Mas... E os pais? E a família como fica?

Vejo que o questionamento que fazem pouco importa o esgotamento físico e emocional de seus cuidadores. Sempre bato nessa tecla, pois são muitas cobranças, deveres, obrigações e rotinas. Lido com isso desde que a minha filha nasceu, e pra ela e por ela sempre faremos tudo. Sei que é necessário, e que não há escapatória, mas tudo que acontece recaí sobre a mãe.

Mas, diante das minhas dificuldades - e sei que muitas mães sentem isso e passam por isso afirmo: Não me sinto acolhida ou vista com olhar de empatia , e pra ser sincera, de alguns lugares tenho sentimento de abandono. Sempre fui uma mãe presente, participativa, empática, mas de uns tempos pra cá cansei. Minha decepção é tão grande, que percebo que algumas pessoas ficaram automatizadas, e esperam o mesmo de nós. Olham como se não pudéssemos errar, e também não podemos reclamar pois isso gera um certo " olhar torto" e interpretação errônea de tudo. Seguimos sozinhas em nossas lutas, silenciando algumas coisas que deveríamos falar porque gera represálias, retaliação.

Nunca... Nunca mesmo fui de ficar reclamando... Sempre fui de ir lá e fazer. Mas com o tempo, sentimos o preço dessa pressão psicológica, pois além de ser mãe, cuidadora, tenho que lidar com situações inesperadas e inacreditáveis de pessoas que deveriam ter um mínimo de sensibilidade por saber que com o tempo o peso de nossos filhos se tornam o dobro, que a nossa cabeça fica a mil, e que consequentemente nós teremos algum tipo de atitude diferente por não querer mais conviver com algumas pessoas que deveriam ser uma mão para apoiar e não para empurrar.

Infelizmente vamos nos deparar com pessoas que não tem estrutura para atender nossas filhas. Isso até hoje acontece conosco, e eu diria que falta empatia nessas pessoas. Detesto quando algumas coisas ocorrem, quando só ouço reclamações e apontamento de defeitos. Mas, eu sei quem tenho nas mãos. Conheço minha filha só de olhar, e algumas coisas que me apontaram foram válidas, mas outras não. Respeito muito pontos de vista e exponho os meus. Vejo o que é melhor para ela. Também tive coragem de mesmo precisando virar as costas porque fomos ignoradas, e sequer olhei para traz diante de certas indiferenças. 

É inegável a falta de preparo para atender quem quer que seja, não somente ela, e hoje quando isso acontece percebo que o tempo é o senhor da razão e que temos que fazer valer nossos direitos, reclamar nos superiores, na Ouvidoria. Pode não resolver nada, mas a nossa parte fizemos. 

A estrutura de qualquer filho depende da família. E deveria ser uma realidade acessível a todos um amparo, um acolhimento, um suporte psicológico mais efetivo e humanizado. Todos nós temos sentimentos e muitos esquecem isso.

Adriana

14 de setembro de 2018

Consulta com Cardiologista, Aniversário da Jaqueline e rotina

Olá meninas, tudo bem?

Desculpem minha ausência! É muita correria. Mas está tudo bem!

Consegui hoje sentar e fazer essa postagem que planejava desde o dia 05 de setembro que foi o dia que teve consulta com o Cardiologista. Mas, devido a aproximação do aniversário da Jaqueline e a rotina da escola, não conseguia parar pra nada, pois ela quer dormir cedo e geralmente faço as postagens à noite. 

Como mencionei o aniversário de 19 anos dela foi dia 11 de setembro. Ficou muito feliz, pois compramos bexigas, fiz flores com elas, compramos um bolinho  eu e meu esposo cantamos parabéns assim que ela acordou, e ela foi para a escola normal, e quem aparecia comia um pedaço de bolo. Ela teve uma semana bem agitada pois é ansiosa, e ao mesmo tempo que queria ir pra escola estava encantada com as bexigas dela! No dia seguinte do aniversário estava exausta e acredito que além de ser puxado ficar 5 horas sentada na escola, a agitação, os dias diferentes, a rotina escolar que traz muitas possibilidades e estimulação a deixou exausta. 

Felicidade é algo que nunca faltou na vida dela e nem amor. Ela é um baita exemplo de pessoa pra mim, e além de ser minha filha é minha vida! Sei que isso pode parecer clichê de toda mãe, mas ela pra mim é extraordinária, e isso não tem nada a haver com o histórico de diagnósticos  e sim com a pessoa que ela é. Temos uma ligação tão forte, que impossível não ter gratidão pela pessoa linda que coloquei no mundo. Sou uma pessoa muito melhor, e entendi o meu papel no mundo depois que ela nasceu. Eu e meu marido nos sentimos privilegiados por sermos pais dela. 

Bom, agora vou falar sobre a consulta com o Cardiologista que ela teve no dia 05/09.

No dia 10/08 fez os exames anuais de Ecocardiograma e Eletrocardiograma.

Desde o ano passado, quando teve alta da Unidade de Pediatria onde passou por 18 anos, está sendo acompanhada pelo Instituto do Coração. Na verdade, tanto a Unidade de Pediatria como a Unidade de Endocrinologia e Metabologia de adulto que a acompanha, solicitaram Inter Consulta e foi agendado lá. Desde então, passa na Triagem do Serviço de Pronto atendimento. Portanto não tem um médico fixo. Nas 2 vezes que fomos passamos com o mesmo médico e ele disse que faria os exames anualmente e caso o quadro mantivesse passaria a ser a cada 2 anos. Nesse atendimento, passou com outro médico que teve outra conduta, mas acabei concordando com ele que isso seria o melhor para ela devido ao deslocamento e ao grande fluxo de pessoas que a expõe demais. Além de ter a encaminhado para acompanhamento com um médico fixo aqui na minha cidade.

Os exames dela estão iguais: O Eletrocardiograma mostrou discretas alterações da repolarização ventricular, e o Ecocardiograma mostrou insuficiência aórtica de grau discreto e moderado. 
CID10 I35 = Transtornos não-reumáticos da valva aórtica.

O que ela tem é uma má formação da valva aórtica, e ela apresenta insuficiência de grau discreta e moderada. A conduta terapêutica será mantida, e como tem sido acompanhada pela médica da UBS em relação a Hipertensão, cuidados com a alimentação, tomando os medicamentos corretamente e sendo monitorada diariamente e clinicamente se mostra bem, não há com o que se preocupar. Pediu que seja avaliada e acompanhada no AME mais próximo.

Então, como os exames desse ano com a parte Cardiológica estão em ordem e a consulta também, falarei com a médica dela aqui perto de casa, e no ano que vem procuramos um médico para acompanhá-la.

Abaixo, deixarei explicado conforme minha pesquisa na internet sobre o que é alteração da repolarização ventricular, e o que é Insuficiência aórtica. O que me explicaram é que 75% da população tem essa alteração e não sabe. O que importa é a condição física da pessoa.

Um grande abraço❤

Adriana

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O que é alteração inespecífica da repolarização ventricular?

A repolarização ventricular no eletrocardiograma representa a fase em que o coração está se preparando para uma nova contração, ou seja, está se repolarizando.

As alterações da repolarização ventricular podem ser localizadas, sendo especificado no resultado do eletrocardiograma o local em que ocorrem (por exemplo, alteração da repolarização ventricular em parede anterior, inferior, ântero-septal, lateral...).

Embora, de modo geral, uma alteração na repolarização ventricular não signifique que exista alguma doença cardíaca, muitas doenças do coração podem provocar essas alterações no eletrocardiograma. Algumas condições e doenças em que essa alteração é comum:

Hipertensão arterial;
Insuficiência cardíaca;
Valvulopatia;
Hipertrofia ventricular esquerda (aumento do volume do músculo cardíaco);
Idade avançada;
Obesidade;
Pacientes que já sofreram infarto;
Gravidez.

Créditos: 

Insuficiência aórtica: causas, sinais e tratamento

A insuficiência aórtica é uma doença cardíaca em que a válvula aórtica não se fecha hermeticamente. Isso faz com que o sangue flua desde a artéria aorta (o maior vaso sanguíneo) até o ventrículo esquerdo (câmara do coração). 

Causas da insuficiência aórtica

Existem diversas doenças que podem causar insuficiência aórtica. É muito importante diferenciar as que causam insuficiência aórtica aguda das que provocam a forma crônica da doença, pois cada uma possui fisiopatologia, sintomas, diagnóstico e tratamento diferentes.

Insuficiência aórtica aguda

A insuficiência aórtica aguda pode ser causada por diversas patologias, entre elas: uma endocardite infecciosa, infarto agudo do miocárdio, disfunção da prótese valvar, aneurisma da aorta, dissecção aórtica e traumatismo torácico. 

Insuficiência aórtica crônica

As causas da insuficiência aórtica crônica são a dilatação idiopática da aorta, doenças congênitas como a válvula bicúspide ou pré-molar, síndrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos, Hurler ou Reiter, doença reumática, hipertensão, sífilis, lúpus, espondilite anquilosante, artrite reumatoide ou arterite de células gigantes. 

Sinais da insuficiência aórtica

A insuficiência aórtica comumente não apresenta sintomas durante muitos anos. Os sintomas podem aproximar-se lentamente ou de repente. Os mais importantes são dor torácica do tipo anginal, desmaios, fadiga, palpitações, falta de ar após esforço ou deitado, inchaço nos pés, pernas e abdômen, pulso irregular, rápido, acelerado ou latejante, sensação de fraqueza que normalmente ocorre durante a atividade física. 

Tratamento da insuficiência aórtica

O tratamento da insuficiência aórtica vai depender do estágio da doença. Em casos de insuficiência leve ou de leve a moderada, o paciente precisa apenas fazer acompanhamento médico, sem necessidade de uso de remédios ou outras terapias. Avançando um pouco mais, os casos de insuficiência moderada e de moderada a importante costumam exigir tratamento medicamentoso. Por fim, pacientes com insuficiência aórtica importante, em geral, necessitam por uma cirurgia para troca da válvula aórtica. 

Créditos: 



3 de setembro de 2018

Empoderamento, Amor Próprio ou Egocentrismo e Arrogância?



Vou falar do mesmo assunto de formas diferentes. Pode até ser que fale de um ponto de vista contrário ao que falei anteriormente ou  quem sabe expondo o outro lado da situação. 

Quando falamos de amor próprio, nem sempre tudo é como a teoria. Não é fácil assim como dizem. A prática sincera que é complicada pois para agir de acordo é necessário de fato sentir.

Enfatizamos os defeitos que nos colocamos, os rótulos que nos aplicam, os olhares que não nos conhecem, as vozes de baixa estima que tão acostumados a ouvir ecoamos. Massacramos a nós mesmos com atitudes  tão cruéis quanto o que fizeram conosco. O fato é que as pessoas falam mesmo, elas nunca estão satisfeitas. E nós, estamos satisfeitos?

Todas as nossas experiências desde que nascemos lutam conosco. Ficam martelando em nossa mente, até o momento que resolvemos dar a volta por cima e mudar tudo. Não somos aquilo que falam de nós por percepções erradas, jamais!  Não se trata de ser quem não é, e sim ser quem quer ser. Reclamar por si só, nada resolve. Precisamos mudar e é difícil. O mais importante é ignorar olhares, palavras, atitudes que não entendem nada sobre amor próprio, pois o amor próprio é aquele que temos por nós e damos aos outros, e quem não tem nem por si sempre vai apontar defeitos e criticar pois assim como não vê nada de bom em si, vai satisfazer-se em denegrir o outro para se sentir melhor - de forma errada é verdade, uma satisfação mascarada e totalmente infeliz.

Outro dia, estava assistindo um programa na Televisão em que a pessoa falava sobre direito de se impor, empoderamento, preconceito. O que me chama atenção é a forma que  falava com agressividade ao expor seu ponto de vista, onde as pessoas deveriam aceitar e ponto. Achei arrogante, pois uma coisa é sermos fortes, nos colocar no mundo e fazer valer o nosso eu. Mas ficou nítido pra mim que empoderamento não tem nada haver com egocentrismo, nem arrogância. Empoderamento é aquele amor próprio que se coloca no mundo sem impor que todos aceitem. 

Infelizmente, algumas vezes por trás de pessoas aparentemente seguras, que usam arrogância e o ego  para se inflar de confiança, mas que no fundo tem medo de ser rejeitadas. 
Todos nós temos as nossas máscaras sociais pra defesa, ou seja: algumas vezes para nos proteger fazemos ou somos algo para nos fortalecer perante as pessoas. É um escudo para que não atropelem nosso território interno. E outras usam isso para mostrar um alguém que não são, e que  geralmente é o oposto daquilo que mostra e como consequência enganam a si mesmos. Muitos mostram uma vida perfeita, e seus conflitos não ficam a mostra. E quem nunca sorriu mesmo destruído(a) por dentro, e passando por mil coisas ruins? 

Vemos constantemente nas Redes Sociais um falso amor próprio, um empoderamento que insiste na necessidade de mostrar aos outros. O amor próprio não é egocêntrico, nem arrogante... É aquilo que você dá a si mesmo, que mostra a si mesmo, olho no olho.É aquilo que transborda e divide. Não é baseado apenas em aparência e sim no ser, no fazer, no estar, no sentir, no falar, no tocar, no pensar, no amar, no doar, no dividir, no sonhar.


Adriana

26 de agosto de 2018

Síndrome de Turner X Religião

Independente de crença, religião ou ideologia, todos nós precisamos da Medicina. Já ouvi tantas coisas, que sinceramente me fizeram perceber o quanto as pessoas perdem oportunidade de ficar caladas. Até hoje passo pela situação das pessoas quererem me " consolar" porque me vê empurrando a minha filha na cadeira de rodas - mal sabem o que ela já passou, enfrentou e superou e que o amor é algo mais poderoso do que qualquer palavra alheia mesmo que venha nas melhores das intenções. Mas não ligo, afinal  não posso controlar tudo à minha volta, não vou mudar o pensamento de alguns, e acho válido algumas até sim conversarem conosco, saberem a nossa história, mesmo que tenham uma visão diferente da nossa. 

Hoje, tenho uma opinião, um sentimento e visão que tudo é válido até as abordagens erradas pois tudo nos ensina algo. É claro que tenho a sensibilidade de optar e me dar o direito de conversar, explicar ou rir e virar as costas, pois se levar tudo ao pé da letra eu não vivo. Não posso me responsabilizar pelo que pensam, mas posso esclarecer. Se as pessoas assimilam algo positivo acho maravilhoso, mas se não, lamento... Sei também que muitas não fazem por mal. Relevo!

O que mais prezo é pela forma que nós conduzimos aqui a nossa vida - eu e meu esposo agimos naturalmente, cuidamos dela, e ajudamos um ao outro. É simples, e alguns poucos veem isso como algo muito difícil o fato de ela não andar. Por outro lado, há pessoas que gratuitamente são tão leves e carinhosas conosco, que percebem nossa essência, que nem precisamos nada dizer, apenas sorriem e pronto. Isso se chama amor.

Todos nós precisamos de fé - Independente de doutrina, religião, ideologia, etc. Precisamos da Medicina, precisamos acreditar em nós mesmos - mesmo que seja difícil às vezes pois acreditamos muito mais nas opiniões expostas da sociedade, na padronização e nas palavras negativas. Renegamos a nós mesmos e nos limitamos, retirando todos nossos predicados como seres humanos e priorizamos a casca. Estar bem consigo é muito mais do que uma aparência. É mente, corpo, alma e coração. É estar consigo mesma independente do que achem, falem, pensem e façam. Assim, nunca estará só. Isso é amor próprio.

A Síndrome de Turner não é um rótulo. É uma condição genética. E embora algumas coisas incomodem, ela não é o seu nome. Sempre digo que a minha filha tem ST , mas ela não é a ST. Tem nome, sobrenome, é uma pessoa, tem a sua personalidade. E para a medicina será vista como a Síndrome, mas isso não significa que cada uma de vocês terá que se vestir dela. Acima de qualquer coisa, é uma mulher, é uma pessoa. E mesmo sendo difícil, se colocar o diagnóstico acima de tudo, vai doer ainda mais coisas que nem precisariam doer, ou que poderiam doer menos. Eu sei que é complicado, mas isso não é o fim do mundo, e acredite em mim: quando descobri que a minha filha tem Turner, ainda recém nascida não tinha um décimo das informações que hoje tem, e nem essa forma de comunicação que hoje temos. Internet era pra poucos. Sobrevivi a vários caos com ela.

Fases difíceis... Mas que passaram. Aprendi e superei... junto com ela... Errando, mas fazendo o meu melhor. Acertando e indo por caminhos certos depois. Tudo dá certo. Com fé, com amor, com dedicação, com apoio familiar, que seja o meu e do meu marido... Mas só quando nos desvencilhamos de interferências que nos afastavam de um consenso do que era melhor pra ela, tudo foi ficando melhor. Não deixou de ser uma batalha, mas não tinha um peso a mais de pessoas que não ajudavam mais só opinavam. Que achavam que tinha que apenas levar na igreja deles e não nos médicos. Respeito, mas preciso da Medicina também!

Não concordo com alguns posicionamentos de algumas pessoas que dizem: - Não é certo, não aceito, mas respeito. Acho que automaticamente quando se rotula o certo e errado, e o não aceitar já está desrespeitando. Sempre fui o tipo de pessoa que olha para as pessoas, seja qual for suas opções de forma neutra, pois acima de qualquer coisa todos nós somos seres humanos, e a vida do outro é do outro, a minha é que importa.

Não pensem nas coisas que poderiam ser, e sim pense nas que possui e isso é tudo!

Adriana

17 de agosto de 2018

A importância dos exames periódicos em Mulheres Turner

No dia 10, levei a Jaqueline para fazer Exames de Ecocardiograma e Eletrocardiograma. 

Esses exames são necessários de tempos em tempos e faz desde que era bebê. A diferença é que de um ano pra cá, não está mais sendo acompanhada pela pediatria. Confesso que pra mim foi difícil essa transição, e mesmo eu não tendo nenhuma dificuldade de lidar com a rotina, com os médicos, esbarrei em diferenças gritantes no atendimento. Primeiro, porque a ala pediátrica era bem menor, e entre outras coisas, me assustei com a demanda de pessoas que vi. 
Me senti no formigueiro! Era uma transição para a vida adulta que ela estava passando, e eu por tabela passando com ela.


O que eu não imaginava é que apesar do medo do novo, de não saber se aquilo seria o melhor para ela, era o necessário e não tinha pra onde escapar.  Percebi que era uma nova etapa acontecendo: A idade cronológica da minha filha implicaria em mudanças, mesmo que o seu tamanho não fosse condizente com ela. Percebi com o passar do tempo que foi feito o que deveria por 17 anos, e agora continuaria ter um atendimento em outro lugar. Para minha alegria, um atendimento mais especializado inclusive em relação à Síndrome onde passa com uma equipe especializada em ST.

Então, percebi que mudanças são necessárias e muitas vezes é para o melhor!

Desde o ano passado, está em seguimento no Incor- SP (Instituto do Coração). Fica em triagem pois é um caso leve de insuficiência cardíaca, e lá efetivam quando os casos são mais graves devido a demanda. Isso não impede de acompanharem da melhor forma, com médicos ótimos, e exames periódicos. Ela foi muito bem atendida, e lá independente se é SUS, Convênio ou Particular, o atendimento é o mesmo. Sempre somos atendidas pelo Sus, e durante os 17 anos que passou na Pediatria conseguiu todos atendimentos que precisava para o tratamento e todos os exames necessários. Assim como em 2011 foi operada de uma escoliose no Instituto de Ortopedia do HC, e foi excelente o que fizeram com ela lá!

No começo eu me assustava com a quantidade de exames que pediam. Mas hoje afirmo que esses exames foram fundamentais na vida dela! Até porque o tratamento só pode acontecer da melhor forma assim. 

Exames como Rx de Punho (Idade Óssea), Densitometria Óssea, Eletrocardiograma, Ecocardiograma, Exames laboratoriais, Exame Audiométrico, Ultrassom de abdome, Ultrassom Pélvico são rotineiros e importantes. 

Se tiver alguma dúvida pergunte ao médico pra que serve determinado exame se ele não disser. Confesso que muitas vezes devido a correria da consulta não conseguia saber o porque de certos exames, mas eu ia pesquisar e sempre tinha uma resposta coerente para aquele exame. Nunca era em vão. Assim como algumas condutas propostas não era o melhor para ela naquele momento, então chegávamos ao consenso e acabavam percebendo que aquele caminho não dava certo.

É melhor prevenir do que remediar.


Um abraço,❤

Adriana

31 de julho de 2018

Não defina tudo como certo por ter Síndrome de Turner

Algo muito comum quando descobre-se a Síndrome de Turner é colocar ao pé da letra todas as possibilidades relatadas por todos os lugares nos quais há alguma informação. Não paramos pra pensar que nem tudo é lei, que cada ser humano é único. Todos nós temos a hereditariedade e pode ser que devido à ela algumas coisas sim apareçam, e o estilo de vida de cada uma defina isso. Pode ser também, que independente de hábitos essas coisas aconteçam, mas isso não deve ser uma paranoia.

Cuidados são essenciais, então se algo aparecer apenas recomendo fazer a sua parte. Na internet vemos a Síndrome de Turner descrita como uma " aberração" colocando exemplos que não se aplicam à todos os casos. Percebo que as características de algumas são bem sutis, nada haver com o que vi em pesquisa. Geralmente, esses exemplos que vi eram estrangeiros. 

Sempre que encontro mães de meninas com a ST, falo que isso não é uma sentença. Há coisas que sim poderão ocorrer, mas hoje a medicina está avançada e com o apoio, os tratamentos são muito melhores do que anos atrás. Quando eu descobri que a minha filha tinha a ST, não ouvíamos muito falar sobre ela. E meninas que nasceram na mesma época que a minha ou depois estão descobrindo que possuem, ou sabem a pouco tempo.

Talvez, se a minha não tivesse tido as intercorrências da falta de oxigênio no nascimento que acarretou em uma internação, e transferência para a UTI de uma Neonatal de referência, só descobriria mais a diante o diagnóstico dela. Por outro lado eu - muito nova e inexperiente percebia que algo diferente acontecia com a minha filha, só não sabia o quê. E essa percepção me ajudou entender que não era coisa da minha cabeça e nem que os médicos estavam errados.

O processo de aceitação das mulheres com Turner é algo que precisa trabalhado, pois acredito que seja o ponto mais difícil. Outro lado cansativo é o tratamento, é o pensar em inúmeras possibilidades. Infelizmente, algumas pessoas são cruéis e adoram apontar uma diferença em toda e qualquer pessoa. Por outro lado, sempre existirá pessoas que amam de verdade como amigos e família que são essenciais na vida, além da própria conscientização de que a aceitação é uma necessidade para o seguir em frente a vida normalmente e do seu jeito.


Até a próxima!
Adriana

23 de julho de 2018

Depoimento : Lidiane Souza


Meu nome é Lidiane.Tenho 17 anos,descobri a Síndrome Turner quando tinha 13 anos,sempre fui uma menina saudável.Muito antes de saber da síndrome eu já fazia acompanhamento médico devido ao meu tamanho,que acabou sendo interrompido por alguns problemas.Só então depois eu pode receber o diagnóstico.Não foi fácil no momento pois era tudo novidade,mas minha mãe sempre esteve ao meu lado.

Hoje levo a vida normalmente como qualquer outra pessoa com minhas limitações.Tenho 1,39 de altura,meu maior problema sempre foi a baixa estatura,não pode fazer tratamento com GH pelo diagnóstico tardio.Não tenho nenhum problema grave de saúde.
Moro com meus pais e tenho três irmãs,sendo que eu sou a mais nova.Nunca tive namorado e estou esperando o momento adequando quando estiver pronta.

Estou cursando o último ano do ensino médio e também faço curso técnico de enfermagem e pretendo continuar nessa área.Vou para a escola na parte da manhã e faço o curso a tarde,e para me divertir gosto de sair com a minha família e também frequento a igreja alguns dias da semana, sou evangélica.
Como já dito a baixa estrutura sempre foi meu problema em relação com a Síndrome de Turner,e uma das minha maiores frustrações porque já sofri muito por isso,já fui motivo de piada na escola.

Muitos acham que tamanho mede a capacidade de alguém e isso me deixa chateada.Mas eu tive força para superar isso e minha família sempre esteve ao meu lado.Apesar disso também tenho problemas na fala e me esforço a cada dia para melhorar.A questão da infertilidade foi o mais fácil em questão para superar,pois sou muito nova e nunca tive problema, menstruei normalmente e sei que ainda posso formar uma família.

Atualmente tenho acompanhamento com:
Geneticista,Endocrinologista,psicólogo,Dentista e Ginecologista.

A Síndrome de Turner só me ensinou a ser mais forte,acredito em Deus e se não fosse por ele eu não estaria aqui hoje,acredito que ele já tem um propósito para nossas vidas.Todos nós somos especiais,somos únicos e vencedores por está nesse mundo.E hoje tenho mais de mil razões para agradecer pela minha vida.por tudo que jà passei,que já superei e que conquistei até aqui.Por ser que eu sou hoje!!!!

Deus sabe o tanto que podemos suportar.
Ele não dar um fardo maior do que podemos aguentar.
Seja grato sempre!!!!